Concheiros de Muge são monumento nacional
Os Concheiros de Muge foram esta quinta-feira classificados como monumento nacional, pelo Conselho de Ministros, vendo reconhecido o seu estatuto de "excepcional interesse nacional".
O decreto resultante desta reunião explica que "O valor científico, patrimonial e cultural de cada um dos bens agora classificados, aliado aos critérios de autenticidade, originalidade, raridade, singularidade e exemplaridade, revelados pelo modo como foram apropriados pelos cidadãos e na relevância simbólica que adquiriram, como lugares das artes e da memória histórica, justificam que sejam classificados como monumentos nacionais".
Conheça um pouco da história dos concheiros de Muge:
As maiores colecções de esqueletos do período mesolítico na Europa, são as dos concheiros de Muge. Os concheiros de Muge, foram descobertos em 1863 por Carlos Ribeiro.
Podemos designar os concheiros como "colinas artificiais" onde se estabeleceram sazonalmente comunidades de caçadores-recolectores, que faziam da apanha de moluscos uma das suas principais actividades.
No Mesolítico adquirem grande importância os concheiros das margens do Muje e do Tejo.
Os principais jazigos são hoje monumentos pré-históricos de interesse público:
- Cabeço da Amoreira
- Cabeço da Arruda
- Cova da Onça
- Flor da Beira
- Concheiros da Fonte do Padre Pedro
Descobertos em 1863 por Carlos Ribeiro, os célebres Concheiros de Muge constituem o maior complexo mesólitico da Europa. Na terminologia internacional impôs-se o termo køkkenmøddinger (=restos de cozinha), cunhada pelo dinamarquês Japetus Steenstrup.
Pois os concheiros eram «colinas artificiais» onde se estabeleceram sazonalmente comunidades de caçadores-recolectores, que faziam da apanha de moluscos uma das suas actividades principais.
Montículos que que serviam ao mesmo tempo de necrópole e de vasadouro, em territórios que permitiam a exploração de uma ampla variedade de recursos naturais, pois por um lado tinham a caça, a pesca e a recolha de moluscos, por outro colhiam frutos e plantas.
Ao invés da tese que faz escola desde 1863, quando foram detectados os Concheiros de Muge, tais estruturas não eram apenas meras concentrações caóticas de conchas («restos de cozinha, lançados a esmo durante largos períodos de tempo»), mas também lugares de tumulação ritual.
Nessa perspectiva, as conchas ritualmente depostas sobre os despojos fúnebres encontrados em concheiros seriam uma forma de mantimento, porém destinado ao além, e não a esta vida...
Os concheiros da Ribeira de Muge (Cabeço da Arruda; Moita do Sebastião e Cabeço da Amoreira), pertencem às mais importantes estações da nossa Pré-história. As maiores colecções de esqueletos do período mesolítico na Europa, são as dos concheiros de Muge. Pela sua quantidade (cerca de 300!) e pela importância científica, são citados em todos manuais da Pré-história.
As escavações na Moita do Sebastião detectaram algumas estruturas habitacionais, que indicam que o grupo aí assente era pequeno, entre 15 e 25 pessoas, talvez uma família alargada, característica dos grupos de caçadores-recolectores. Caçavam o Veado, Javali, Corço, Cavalo, Coelho e Lebre; os moluscos mais consumidos eram a Lameijinha e o Berbigão; pescavam a Corvina e outros peixes; Pato, Perdiz e Pombo eram algumas das aves que faziam parte da sua alimentação.
Nas sepulturas feitas nos concheiros, o ritual fúnebre mandava colocar os corpos em decúbito dorsal, pernas semiflectidas e braços estendidos ou cruzados sobre o abdómen; depois os defuntos eram polvilhados com ocre vermelho e adornados com pequenos búzios, em forma de colar.
A esperança de vida média era de 30 anos. Nos quase 300 corpos encontrados, havia um elevado número de cáries dentárias, artrite e lesões traumáticas. No concheiro do Cabeço da Arruda foram encontrados os esqueletos de 45 indivíduos.




